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Críticas de Sara Winter a governo expõem crise entre Planalto e apoiadores radicais

Por Welinton Barros em 05/10/2020 às 13:33:11

As críticas da ativista de extrema-direita Sara Winter ao governo federal representam o mais recente episódio de crise na base ideológica de apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Em uma publicação em seu perfil no Facebook, a líder do movimento "300 pelo Brasil" disse que está "cansada" do governo e que não reconhece mais as atitudes de Bolsonaro. A insatisfação de apoiadores tem se intensificado nos últimos dias, na esteira da escolha do desembargador federal Kassio Nunes Marques, vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), para a vaga do ministro Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal (STF), da visita do chefe do Executivo à residência do ministro Dias Toffoli na noite de sábado, e da aproximação do Palácio do Planalto com os partidos do chamado Centrão.

Em sua postagem no Facebook, Sara Winter afirma que os apoiadores do presidente da República foram "aconselhados por deputados da base aliada a não falar mais um "ai" do Maia ou do STF, para não atrapalhar, claro. Obedecemos. Obedecemos de boca calada às poucas broncas que nos eram dadas. Chegou uma hora que não entendíamos o que estava acontecendo, mas a gente pensava: "Deixa ele, ele é estrategista". Não reconheço Bolsonaro. Não sei mais quem ele é. O homem que eu decidi entregar meu destino e vida para proteger um legado conservador. Porque estou escrevendo isso? Porque não aguento mais. Não aguento mais", diz o texto. Em outro trecho, a ativista radical se queixa da falta de atenção dada por Bolsonaro e cita o abraço dado pelo presidente no ministro Dias Toffoli, na noite de sábado. "Bolsonaro? Que inveja eu tenho do Toffoli. Ele pelo menos ganhou um abraço do Bolsonaro. (…) Acorda, Bolsonaro. Já tá bom de dar surra em quem gosta de você", acrescenta.

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As críticas de Sara sobre o encontro de Bolsonaro com Toffoli encontram ressonância em outros apoiadores do presidente. Em seu perfil no Twitter, o blogueiro Allan dos Santos, do portal Terça Livre, escreveu: "Minha admiração à pessoa de Jair Bolsonaro não me permite achar isso aqui algo admirável ou um tipo de movimento político tolerável, como "coisa do jogo'". O encontrou gerou reação imediata dos apoiadores, que passaram a chamar o presidente de traidor – a hashtag #BolsonaroTraidor chegou aos trending topics da rede social neste domingo. Em resposta a um questionamento feito por um eleitor no Facebook, Bolsonaro disse que precisa governar e que conversa com todos em Brasília. O argumento de que o diálogo com outros poderes faz parte da estratégia do governo em busca de governabilidade também não convenceu um dos principais defensores do presidente, o filósofo Olavo de Carvalho, tido como guru do bolsonarismo. "Presidente: Gostamos de você e entendemos as suas dificuldades, mas, por favor, pare de chamar de estratégia o que é mera acomodação forçada a poderes superiores", diz Olavo no Twitter.

Esta não é a primeira vez, nos últimos dias, que as hostes bolsonaristas se levantaram contra as escolhas de Bolsonaro. Desde a última quarta-feira, quando o presidente sinalizou que indicaria o desembargador Kassio Nunes ao STF, apoiadores passaram a protestar contra o nome do magistrado. Uma das críticas mais incisivas partiu do pastor Silas Malafaia, para quem "o PT, toda a esquerda, o centrão, os corruptos e todos os que são contra a Lava Jato agradecem" pela possível escolha de um nome que não é "terrivelmente evangélico" e "terrivelmente de direita". "Sou aliado do presidente, não alienado", disse em um post no Twitter. O perfil garantista de Kassio Nunes, somado aos fatos de ter sido indicado pela então presidente Dilma Rousseff ao TRF-1 em 2011 e ter derrubado uma decisão liminar que suspendeu um processo de licitação para compra de refeições de alto padrão para ministros do STF, como lagostas, também desapontaram os radicais mais fieis, que iniciaram uma campanha com a hashtag #KassioNunesNão no Twitter.

Fonte: JP

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